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Fernanda Montenegro

Campo de exposição: onde Fernanda Montenegro é acessada?

Fernanda Montenegro possui uma página oficial no Facebook que conta com mais de 127 mil seguidores, além de um site oficial e uma conta no twitter (não-verificada) que parecem estar desativados.

(Dados coletados em 03/09/2018)

 

Acontecimentos: o que tem marcado a aparição pública de Fernanda Montenegro

  • Foi a primeira atriz a ser contratada pela TV Tupi, em 1951, logo após a chegada da televisão no país.
  • Em 1953, casou-se com o também ator, diretor e produtor de teatro, televisão e cinema, Fernando Torres, com quem teve dois filhos (Fernanda Torres e Cláudio Torres) e viveu até 2008. Fernando Torres faleceu em abril de 2008 de enfisema pulmonar, poucos meses antes da estreia da peça monólogo que estava realizando em parceria com a esposa.
  • Em 1954, mudou-se para São Paulo, onde pode participar de companhias de teatro históricas, como a Companhia de Teatro Maria Della Costa e o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC).
  • No primeiro filme que protagonizou, A Falecida (1964), Fernanda Montenegro ganhou três prêmios por sua atuação como Zulmira: o Festival Internacional do Rio, o Troféu Candango do Festival de Brasília e o Prêmio Governador do Estado de São Paulo.
  • Em 1968, foi uma das figuras importantes dentre os expoentes da greve do teatro brasileiro contra a censura do regime militar.
  • Em 1981, estreou na TV Globo, na novela Baila Comigo, de Manoel Carlos, que conta ter escrito o papel de Silvia Toledo Fernandes especialmente para Fernanda Montenegro.
  • Prêmio de melhor atriz da Associação Paulista de Críticos de arte pelo papel de Charlô, em Guerra dos Sexos (1983), de Silvio de Abreu.
  • Em 1985, foi convidada para ser Ministra da Cultura do governo Sarney. Em uma carta, Fernanda Montenegro recusou o convite, afirmando ser o teatro o seu verdadeiro lugar.
  • Indicação ao Oscar de Melhor Atriz pelo papel de Dora, a escrivã de cartas, em Central do Brasil (1998), de Walter Salles. Fernanda Montenegro foi a primeira brasileira e latino-americana a ser indicada para a categoria, o que lhe rendeu uma entrevista no The Late Show, com David Letterman no dia seguinte à indicação. Concorreram, junto com ela, atrizes estadunidenses de renome, como Meryl Streep, Emily Watson, Cate Blanchett e Gwyneth Paltrow. A última foi a grande vencedora da categoria naquele ano, para a surpresa do público geral, gerando um grande sentimento de insatisfação entre a crítica brasileira. José Wilker, comentador da premiação à época, considerou o episódio como uma injustiça à atuação de Fernanda Montenegro. Sua atuação permanece até hoje como a única performance em português a ter sido indicada pela Academia. A atriz conquistou diversos prêmios internacionais pelo papel no longa, como o Urso de Prata e o Festival de Havana.
  • Em 1999, recebeu a maior condecoração brasileira concedida pela Presidência da República, a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito “pelo reconhecimento ao destacado trabalho nas artes cênicas brasileiras”. Em homenagem aos 50 anos de sua carreira, o Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro montou uma exposição com os melhores momentos de sua história.
  • Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Tribeca pela atuação em O outro lado da rua (2004), de Marcos Bernstein.
  • Atuou na produção internacional O Amor nos tempos do Cólera (2007), de Mike Newell e inspirada no romance do colombiano Gabriel García Marquez. No longa, Fernanda interpreta Tránsito Ariza, mãe do protagonista Floriano, vivido por Javier Bardem.
  • Prêmio de Melhor Atriz no Emmy Internacional pelo papel de Dona Picucha, no especial de fim de ano Doce de Mãe (2012). O sucesso do especial foi tamanho que a Rede Globo decidiu transformá-lo em uma série no ano seguinte.
  • Em 2015, na novela Babilônia, Fernanda Montenegro deu vida à personagem Teresa, uma mulher lésbica e casada com sua companheira Estela, interpretada por Nathalia Timberg. No primeiro episódio da novela, as duas se dão um beijo nos lábios, como um ato cotidiano dos casais. A cena gerou grande controvérsia na sociedade brasileira, causando manifestações de repúdio e apoio nas redes sociais.
  • Participou no ato de defesa do Teatro Oficina, em novembro de 2017. Seu discurso foi amplamente divulgado pelas redes sociais e veículos de comunicação que cobriram o caso.
  • Lançamento do seu livro biográfico, Itinerário Fotobiográfico, editado pelo Sesc.

 

Públicos e valores evocados por Fernanda Montenegro

Fernanda Montenegro é a grande dama da dramaturgia brasileira, seja nos palcos, nas telonas ou telinhas. Sua carreira se confunde com a própria história do teatro e da televisão no Brasil, o que dá bases bastante sólidas para sua celebrização. Afinal de contas, é ela a estrela mais longeva do país, com mais de 70 anos de carreira para recordar.

Ainda que tenha sempre tido uma postura aguerrida de luta pela cultura, a percepção que o público geral tem em relação a ela não é controversa. Os posicionamentos políticos da atriz parecem não entrar em conflito com o seu posto de grande atriz brasileira. De modo geral, não há divisão de públicos quando se fala que “Fernanda Montenegro é a grande atriz do Brasil”. Ao que tudo indica, no ramo das artes cênicas, Fernanda Montenegro é inconteste. Enquanto a dama do teatro brasileiro, ela evoca valores de seriedade, competência e talento.  

Nos últimos acontecimentos que a envolveram, Fernanda Montenegro emerge como uma voz a ser ouvida, gozando de ampla legitimidade na sociedade brasileira. Sua fala em defesa do Teatro Oficina foi divulgada por apoiadores com tom de admiração, não apenas por sua trajetória enquanto atriz, mas por sua lucidez e força aos se aproximar dos 90 anos de vida.

Por outro lado, há também opositores às causas que a atriz defende, entre os quais reside a ideia de que seu renome estaria sofrendo uma certa desvalorização por estar associado a posicionamentos políticos progressistas e de esquerda. No episódio do beijo lésbico entre Fernanda e Nathalia Timberg na novela Babilônia, uma parte do público conservador lamentou a participação da “grande dama” em uma cena tão – supostamente – nefasta à sociedade e à família brasileiras. Nesse sentido, destacamos  novamente os valores da seriedade e da competência da atriz. Uma outra parcela desse mesmo público, no entanto, não apenas repudiou a cena do beijo como atacou a figura das atrizes, mulheres idosas que não deveriam estar na televisão se beijando – representando uma vida amorosa e sexual ativa na velhice – mas aposentadas, em casa e de preferência sob os cuidados de suas famílias. Os valores evocados por esse acontecimento e que incidem sobre a imagem pública da atriz tem a ver com o conservadorismo e a tradição. Com uma carreira tão longeva e um lugar tão central no imaginário cultural da sociedade brasileira, a tradição desempenha um papel importante na construção da imagem pública de Fernanda Montenegro. Ela representa muito de nossa história cultural e talvez, por isso, seja cobrada por seus públicos a reforçar valores tradicionais em suas atuações, como atriz, e suas ações, como mulher célebre.

Biografia

Fernanda Montenegro é o nome artístico de Arlette Pinheiro Esteves Torres, nascida em 26 de outubro de 1929 no bairro do Campinho, subúrbio do Rio de Janeiro. Sua carreira profissional começou aos quinze anos, na Rádio MEC (a sigla, antes, se referia ao Ministério da Educação; hoje significa Música, Educação e Cultura), ao ganhar um concurso do Ministério da Educação e Cultura para ser locutora. Lá, ela trabalhou durante 10 anos, desempenhando também os cargos de redatora e rádio-atriz. Inicialmente, o nome "Fernanda Montenegro" era como Arlette assinava suas produções de redatora da rádio, mas com o tempo, tornou-se seu nome artístico nas peças de que participava.

A carreira nos palcos começou nesta mesma época, a partir da amizade de Fernanda com alguns membros do grupo de teatro da Faculdade de Direito da UFRJ, situada ao lado do prédio da rádio. O grupo era coordenado pelo professor Adauto Filho e foi o primeiro espaço no qual Fernanda desempenhou a profissão de atriz na peça Nuestra Natacha, interpretando a personagem Cassona. A participação na peça e o emprego fixo na rádio permitiram que a jovem atriz tivesse contato com o mundo da cultura e da arte, tendo sido a primeira atriz a ser contratada pela TV Tupi em 1951, onde, em apenas dois anos, atuou em mais de 80 peças nos programas Retrospectiva do Teatro Universal e Retrospectiva do teatro brasileiro.  Por isso, não é exagero dizer que a história de Fernanda Montenegro se confunde com a da dramaturgia brasileira. Em uma entrevista para o Fantástico, na ocasião de seu aniversário de 80 anos, ela conta que "só de teleteatro já participou de mais de 400".

Em 1953, casou-se com Fernando Torres, ator, produtor e diretor de teatro e cinema, com quem teve dois filhos, a atriz Fernanda Torres e o diretor Cláudio Torres. Junto ao marido, fundou a companhia Teatro dos Sete e trabalhou em diversas produções do teatro, cinema e TV brasileiros, até a morte de Fernando em 2008, quando se preparavam para a estreia da peça "Viver sem tempos mortos", um monólogo inspirado nas cartas de Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir.

Depois da TV Tupi e até o fim dos anos 1960, Fernanda Montenegro realizou trabalhos em outras emissoras importantes da história televisiva do país, como a TV Rio e a TV Excelsior. A década de 1970 foi mais dedicada aos palcos do que às telas, fazendo apenas algumas participações na Tupi e na Globo. A partir de 1981, ela se torna uma "global", estrelando mais de 30 novelas, minisséries e especiais.

Hoje, próxima dos 90 anos, Fernanda Montenegro ostenta 70 anos de uma célebre carreira repleta de destaques. Foi a primeira atriz latino-americana e brasileira a ter sido indicada para o Oscar de melhor atriz, por sua atuação em Central do Brasil (1998), além de ter sido a única indicação de uma performance em língua portuguesa em toda a história da Academia. A atriz também foi pioneira entre as brasileiras ao ganhar o prêmio de melhor atriz do Emmy Internacional, pelo papel de Dona Picucha em Doce de Mãe (2013).