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Sérgio Moro

Campo de Exposição: onde Sério Moro é acessado?

Os atos do juiz no âmbito da Operação Lava Jato são notícia constantemente. Não há um perfil oficial nas redes sociais, embora haja várias comunidades de fãs, críticos, haters.

Em março de 2016, a esposa do juiz, Rosângela Wolff de Quadros, lançou a página “Eu MORO com ele”. “Ela foi criada para agradecer cada manifestação de apoio recebida”, alegou Rosângela. O próprio magistrado usou o espaço para agradecer aos apoiadores. A página chegou a ter mais de 840 mil curtidas, mas foi desativada em 30 de novembro de 2017. “A página cumpriu seu papel”, disse a esposa do juiz.

Coincidentemente ou não, a desativação se deu no dia em que o ex-advogado da Odebrecht, Tacla Duran, depôs na CPMI da JBS no Congresso, atacando a imagem da Operação Lava-Jato e de Moro. A página Sensacionalista satirizou o magistrado quando se soube que ele recebe auxílio-moradia tendo imóvel próprio, publicando a manchete “Mulher de Moro lança a página ‘Eu Moro com ele e você paga’”.

 

Acontecimentos: o que tem marcado a aparição pública de Moro

  • A trajetória de Sérgio Moro ganha visibilidade com a Operação Lava Jato. No GrisLab, o nome do juiz é citado em 14 análises de acontecimentos. Percebe-se que episódios marcantes da operação acontecem no “embate” entre o juiz e o (também célebre) réu condenado por ele, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva: as delações de Delcídio e de Palocci; a controversa e espetacularizada condução coercitiva de Lula (seguida tempos depois pela ainda mais censurável condução do blogueiro Eduardo Guimarães); a divulgação de gravações de conversas da falecida esposa de Lula, Marisa Letícia, e do próprio Lula com a então presidenta Dilma; a condenação e a execução da pena do ex-presidente. No dia 08 de julho de 2018, o magistrado foi criticado por se manifestar – em período de férias – sobre ordem de soltura de Lula expedida por desembargador plantonista. Sendo juiz de primeira instância, alega-se que Moro quebrou a hierarquia.
  • A delação de Duran e a defesa do auxílio-moradia para juízes arranharam a imagem de Moro. Sobre a primeira, o juiz respondeu como sendo uma “fantasia”, uma única e isolada denúncia de prática desonesta dele. Sobre a segunda, alegou que entende a controvérsia gerada em um país como o Brasil, mas que o auxílio-moradia compensaria a ausência de aumentos do vencimento da categoria, mantendo a qualidade dos juízes.
  • Dois outros acontecimentos bastante comentados pelos críticos de Moro são as aparições públicas dele com políticos tucanos. Participando do prêmio “Brasileiros do Ano”, pela revista “Istoé”, Moro foi fotografado em momento de descontração com o senador Aécio Neves (tendo Michel Temer sentado na cadeira à frente de ambos). Três dias depois, o magistrado disse que “foi uma foto infeliz”. Alegou-se arrependido dois anos depois, o que não o impediu de mais uma vez ser fotografado com um político tucano, desta vez posando com sua esposa ao lado do prefeito João Dória e da esposa dele. Ambos participavam do evento “Brasileiro do ano”, em Nova Iorque. “Estou num evento social e tiro uma foto, isso não significa nada. É uma bobagem isso”, declarou o juiz. Dória e Moro foram fotografados juntos em ocasiões anteriores. O juiz foi mais comedido em 2017, quando o deputado federal Jair Bolsonaro o saldou com uma continência em aeroporto e ele apenas correspondeu rapidamente ao cumprimento e seguiu seu caminho.

 

Públicos e valores evocados por Sérgio Moro

Ainda que não seja um político partidário, classificamos o juiz Sérgio Moro como “liderança política”. Não sem motivo: para públicos significativos, Moro representa o combate à corrupção. Um caso se destaca: muitos dos que se identificam com uma visão mais conservadora, na ausência de lideranças fortes no seu campo, enxerguem no juiz um representante melhor até do que aqueles em quem estes segmentos deposita(ra)m seus votos. E o juiz acena para esses públicos quando, por exemplo, elogia as manifestações de rua de 2015 e 2016, por exemplo.

É interessante pensar que a corrupção é possivelmente o tema mais abordado na grande mídia no que se refere à política, especialmente partidária. Não querendo diminuir a importância do tema, mas percebendo uma possível supervalorização dele em nosso cotidiano, entende-se porque quem é responsável por punir ganha status de herói. Moro encarna a ética e a honestidade para quem acredita e foi acostumado a acreditar que os políticos e a corrupção deles são o principal problema brasileiro.

Para os detratores, Moro se expõem mais do que deveria, é parcial, excede nas punições e nos meios para fazer justiça, toma atitudes que extrapolam suas atribuições. Acaba faltando a ele recato, imparcialidade, parcimônia – valores esperados em um juiz. Sobre a visibilidade pessoal, o juiz alega procura-la para prestar contas de suas ações e usar a opinião pública no combate à corrupção. Porém, a participação em tantas atividades extra tribunal (palestras, conferências, premiações e até lançamento de livro sobre a Lava Jato e de filme baseado na operação) soa como uma busca deliberada do status de célebre.

Biografia

Sérgio Fernando Moro nasceu em 1º de agosto de 1972 em Maringá, no Paraná. Descendente de italianos do Vêneto, é filho de Odete Starke Moro e Dalton Áureo Moro, ex-professor de Geografia da Universidade Estadual de Maringá, falecido em 2005.

Seu único irmão, César Fernando Moro, é proprietário de uma empresa de tecnologia. A família Moro mudou-se para Ponta Grossa quando Sérgio e César eram crianças.

Moro é casado com Rosângela Wolff de Quadros, advogada e atual procuradora jurídica da Federação Nacional das Apaes. Eles vivem em Curitiba e têm um casal de filhos em idade escolar.

Moro começou a estudar Direito na Universidade Estadual de Maringá. Em 1995, terminou sua graduação em Direito. Recebeu seu título de mestre em 2000 pela Universidade Federal do Paraná com a dissertação “Desenvolvimento e efetivação judicial das normas constitucionais”. Em 2002, concluiu doutorado em Direito do Estado na mesma instituição, orientado por Marçal Justen Filho. Moro também cursou o programa de instrução de advogados da Harvard Law School em 1998 e participou de programas de estudos sobre lavagem de dinheiro promovidos pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Em 1996, começou a lecionar na Universidade Federal do Paraná. No mesmo ano, tornou-se juiz federal e iniciou carreira no Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Entre 1999 e 2002, chefiou a 3ª Vara Federal de Joinville, em Santa Catarina.

Entre 2003 e 2007, trabalhou no caso Banestado, que resultou na condenação de 97 pessoas; também trabalhou na Operação Farol da Colina, um desdobramento do caso Banestado, onde decretou a prisão temporária de 103 suspeitos de evasão de divisas, sonegação, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Em 2012, foi auxiliar da ministra do Supremo Tribunal Federal Rosa Weber no caso do Escândalo do Mensalão. Weber o convocou devido à sua especialização em crimes financeiros e no combate à lavagem de dinheiro.

Atualmente, é o juiz da 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba. Moro julga em primeira instância os crimes identificados pela força-tarefa da Operação Lava Jato desde março de 2014. [1] O juiz se inspira na atuação dos magistrados da Operação Mãos Limpas, que começou na Itália em 1992, como indica o artigo de Moro “Considerações sobre a Operação Mani Pulite”, de 2004, onde se defende prisões preventivas, delações premiadas e o uso da opinião pública nas investigações.