Análise | Política

As casas da mãe Joana

“Casa-da-mãe-joana é uma expressão de língua portuguesa que significa o lugar ou situação onde vale tudo, sem ordem, onde predomina a confusão, a balbúrdia e a desorganização.” Ou seja, é o nosso Congresso Nacional.
Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Os reflexos da crise política assombram as casas legislativas federais do Brasil. Baixarias, insultos, gritaria, cuspe, isso e muito mais culminam numa agenda de ações que acontecem corriqueiramente no Congresso Nacional. Partindo do pressuposto de que os fins não justificam os meios, não serão abordados os motivos dos desentendimentos entre os parlamentares.

As reformas propostas pelo governo de Temer são grandes estrelas quando se fala desses transtornos no Congresso Nacional. Ao se tratar da reforma trabalhista na Casa dos estados, os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Ataídes Oliveira (PSDB-TO) quase saíram no tapa devido uma troca de ofensas. O psdbista teve que ser contido para não agredir o colega de trabalho. Numa ocasião parecida, a Senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), juntamente com Lindberg Farias (PT-RJ) pararam a sessão que votaria a Reforma Trabalhista com gritos de protesto. Além desses casos isolados, gritarias, insultos e empurrões são ações que estão fazendo parte do cotidiano do Senado Federal.

Alvo de vários protestos como da Polícia Militar, União Nacional dos Estudantes e outros, a Câmara dos Deputados Federais não fica pra trás em suas confusões. Fazem parte do cotidiano dessa Casa inúmeros bate-bocas entre os parlamentares, com direito a troca de ofensas e insultos. No dia da votação da abertura do processo do impeachment contra a então presidenta Dilma Rousseff, houve briga entre os deputados Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e Jean Wyllys (PSOL-RJ), o desentendimento contou com cuspe e ameaças entre os dois. Em maio deste ano, deputados de oposição e situação trocaram socos e empurrões e a baderna contou com a presença de Darcisio Perondi (PMDB-RS), Carlos Marun (PMDB-MS) e Alessandro Molon (Rede-RJ) e outros vários deputados.

Esse conjunto de confusão no cenário político nacional são repercutidos na mídia de variadas formar. Numa periodicidade religiosa o plenário é representado em esquetes de humor do canal Porta dos Fundos. Esse enquadramento é apresentado de maneira cômica e satirizada, infelizmente fidedigna ao comportamento de alguns dos congressistas. Suas faíscas alcançam também os jornais de todo o país. A imprensa retrata o assunto de uma maneira parcial apontando, na maioria dos casos, políticos de esquerda como responsáveis pelos problemas de diálogo nas casas. Todas essas representações culminam numa imagem ruim do congresso nacional. Retratam uma instituição que se mostra numa frágil democracia, onde o respeito e o bom senso perdem lugar para a baderna e os insultos. Um Poder incapaz de decidir pautas importantes para a sociedade como um todo de maneira pacífica e democrática, apelando para a força do grito em alguns episódios.  

O debate faz parte da democracia, existem ideologias diferentes e seus respectivos representantes, no entanto o debate precisa ter diálogo e respeito. O desentendimento entre os parlamentares prejudica o funcionamento do Poder Legislativo e o dá um tom de menor seriedade. A crise política choca os pilares do bom senso, do respeito e da democracia.

Paulo Basílio
Graduando em Publicidade pela PUC Minas
Membro do GrisLab



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