Análise | Celebridades

A Lua não traiu. Chimbinha, sim!

Os fãs e a complexa relação com as celebridades

O divórcio de Joelma e Chimbinha chocou o país. A banda Calypso, que estourou com o brega pop e o hit do Cavalo Manco, terminou depois que a cantora descobriu uma traição do marido. O acontecimento suscitou reação do público, o que mostrou como a relação com ele é complicada. Nesta breve análise, vemos como os célebres, muitas vezes, não sabem lidar com essa admiração desmedida. Não é à toa que Chimbinha chamou seus fãs de “perigosos”. 

Crédito: Reprodução/Youtube

“A lua não é ser humano. Ser humano é que trai, a lua não trai não”, disse Joelma em um show, logo após anunciar a sua separação. Crédito: Reprodução/Youtube

“Mas num passe de mágica, você desapareceu. Um eclipse maldito. O encanto se perdeu. E o meu coração partido foi sofrendo e foi sofrendo, tentando te encontrar na madrugada, fria madrugada! A Lua me traiu”. Quem ouvia essa música nos longínquos anos 2004, quando foi lançada pela banda Calypso, nunca achou que ela estaria tão atual hoje, mais de uma década depois. A letra embala um dos acontecimentos mais reverberados no último mês: Joelma foi traída por Chimbinha e pôs fim ao casamento e à dupla.

Em um dos primeiros shows sem a presença do ex-marido, a cantora fez uma referência explícita às estrofes: “A lua não é ser humano. Ser humano é que trai, a lua não trai não”. Joelma tem soltado farpas nas apresentações e, inclusive, discutiu com fãs que pediam o perdão e uma possível reconciliação durante um show.

O que é da esfera privada de um casal foi publicizado para todo o país, com detalhes, devido à projeção pública dos envolvidos. Os dois anunciaram a separação, no fim de agosto, e Joelma disse que continuaria em carreira solo. Semanas depois, o divórcio virou caso de polícia. A artista registrou boletim de ocorrência contra Chimbinha, denunciando ameaças do marido. A Justiça determinou que o guitarrista mantivesse pelo menos 100 metros de distância da ex-esposa.

A trama digna de novela continuou com o vazamento de um áudio em que Chimbinha admite a traição com uma mulher evangélica. Em seguida, chama os fãs de perigosos: “Eu não queria contar porque eu tava protegendo ela, para não colocar a vida dela em risco. Primeiro, porque aquela menina é evangélica, e, depois, eu sei o quanto nossos fãs são perigosos”, teria dito.

Há quem ache que o acontecimento seja uma jogada de marketing. Sendo ou não, vemos nele uma revelação de como é complicada a relação entre celebridades e seus fãs. A palavra, como define o dicionário Aurélio, diz de um admirador exaltado, excessivo. Chris Rojek (2008) fala de uma adoração que se aproxima do culto religioso. Já Maria Cláudia Coelho (1999) se aprofunda mais nessa complexidade, vendo o célebre como um modelo de inspiração nos dias atuais. O fã quer se aproximar, deixar de ser anônimo e ser reconhecido. A pesquisadora fez um estudo que mostrou como os sentimentos deles variam de um simples encanto a uma paixão que pode desembocar em agressividade.

Joelma e Chimbinha viram seu público se dividir entre os que querem uma reconciliação e aqueles que apoiam a decisão da mulher traída. Nas redes sociais, não faltam memes ironizando a situação, o que convoca a manifestação dos fãs. Não é à toa, então, que Chimbinha tem medo deles. Como o lobo mau da história, sabe que pode haver agressões. Já Joelma se aproximou mais, dando declarações sobre seus sentimentos nos shows que faz sozinha.

O acontecimento revela como os famosos são fortes figuras de identificação hoje, afetando seus públicos. Ao mesmo tempo, os artistas, devido a esses mesmos acontecimentos, veem as potencialidades e aprendem a lidar com a reação do fã. Pelo visto, Chimbinha continuará um bom tempo escondido enquanto Joelma se aproveita da lua para cantar sobre a traição.

Juliana Ferreira

Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UFMG e pesquisadora do GRIS.



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