Análise | Celebridades e Figuras Públicas

Não Faz Sentido! A censura de Crivella

A Bienal do livro no Rio de Janeiro sofre uma tentativa de censura, mas a reação protagonizada por uma celebridade faz frente ao obscurantismo da opressão

Foto: Divulgação – @felipeneto

Há quase 40 anos a cidade maravilhosa sedia a Bienal do Livro do Rio, um dos principais eventos literários e culturais do país. Entretanto, a edição deste ano chamou a atenção da mídia e do público por sofrer tentativas de censura. Isso porque um de seus expositores  comercializava a HQ “Vingadores: A Cruzada das Crianças”, que contém um beijo homoafetivo. 

Em reação a isso, Marcelo Crivella – prefeito do Rio de Janeiro – determinou que as obras fossem recolhidas, alegando conteúdo suxual impróprio para menores. Ele ainda afirmou que a decisão não foi uma reação homofóbica, mas sim uma tentativa de proteger as crianças. Tal ação gerou uma onda de protestos, tanto da população anônima quanto de celebridades.

Houve ações dentro da bienal: participantes empunharam livros LGBT e a HQ esgotou no mesmo dia. A imagem do beijo, nas redes sociais digitais, foi usado em montagens que criticavam o prefeito pela omissão diante de problemas reais da cidade; além de ter sido capa da Folha de São Paulo.

Nesse cenário, o comportamento do youtuber Felipe Neto se destacou. Decidido por fazer um protesto ativo, o ator comprou todos os livros referentes à temática LGBT da Bienal e os distribuiu gratuitamente. Além disso, Felipe se posicionou em suas redes sociais – sendo criticado pela incoerência em relação a posicionamentos do passado, por um suposto oportunismo (“é tudo marketing”) e chegando a sofrer ameaças por parte de opositores. 

Analisando a história pública do vlogueiro, pode-se concluir que de fato houve uma mudança de comportamento. Inicialmente, em seu canal “Não Faz Sentido!”, Neto produzia vídeos compartilhando opiniões conservadoras e, na maioria das vezes, preconceituosas. Hoje é possível notar uma alteração radical em seu discurso, que agora se aproxima mais de causas sociais e minorias. Assim, quem cobra “autenticidade” do youtuber (como se transformações pessoais não fossem comuns e desejáveis) não admite que ele  se comporte de forma mais responsável que o prefeito da própria cidade.

Em tempos sombrios em que as pessoas se comportam de forma cada vez mais individualista, presenciar metamorfoses que fazem o caminho contrário nos traz um pouco de esperança. Afinal, a luta continua.

Evelly Lopes, graduanda em Publicidade e Propaganda na UFMG e bolsista de Iniciação Científica pelo GrisLab



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