Análise | Gênero e sexualidade Música, arte e moda

Que tiro foi esse? Mulheres invadem o funk

Durante a década de 90 até meados dos anos 2000, uma lista de axés embalou os foliões brasileiros com hits famosos que são lembrados até hoje. No entanto, a partir de 2010, o funk invadiu o Carnaval e o sucesso do ritmo revelou Mc’s que viraram celebridades, cantando letras sexistas que são envolvidas com o som do batidão. A análise discute como as mulheres penetraram o universo do funk, protagonizando-o cada vez mais.

Fotografia da Todynho no clipe de “Vai Malnadra” de Anitta.

Em 2016, MC João e MC Bin Laden arremataram a folia com as músicas Baile de Favela e Tá tranquilo, tá favorável. Os hits Deu onda, de MC G15, e Olha a explosão, de MC Kevinho, dominaram o carnaval de 2017. Adultos e crianças cantaram “o pai te ama” e muitas mulheres, de todas as idades, performaram a “novinha terrorista” que explodia “com a bunda no chão”. Neste ano, curiosamente, os três funks que despontaram na trilha sonora dos foliões foram protagonizados por mulheres. Vai Malandra, de Anitta; Que tiro foi esse?, de Jojo Todynho; e Envolvimento, da jovem MC Loma, foram três das dez canções mais ouvidas pelos brasileiros no Spotify no último mês.  Agora, são elas que aparecem dizendo que “descem” e definindo quando vão “sentar”.

O sucesso de Anitta no Carnaval era previsível, já que a cantora dominou as paradas musicais em 2017, explorando diversos estilos a partir de um projeto de internacionalização da carreira, que lhe rendeu vários frutos. Vai Malandra foi um deles e representa dois recordes importantes: foi a melhor estreia brasileira do Youtube com mais de 16 milhões de visualizações em 24 horas e foi a primeira música a superar a barreira de um milhão de streams em um dia no Spotify brasileiro.

Além disso, Malandra também funcionou como alavanca para a fama de Jojo Todynho. A aparição da funkeira no clipe chamou a atenção do público e o lançamento do seu single Que tiro foi esse? coincidiu com a época do sucesso de Anitta. O tiro acertou a mira e Jojo viu sua música virar meme: milhares de pessoas, incluindo celebridades como Fafá de Belém e Luciano Huck, compartilharam vídeos em seus perfis virtuais, em que simulavam uma queda em lugares públicos e “morriam” toda vez que a cantora entoava os primeiros versos da canção. O clipe já tem mais de 150 milhões de visualizações no Youtube.

MC Loma, de 15 anos, também contou com a internet para conquistar a fama. Junto com as Gêmeas Lacração, a jovem compartilhou um vídeo amador cantando uma mistura de funk e brega pernambucano que, inusitadamente, logo virou hit. Com o sucesso do clipe (que tem quase 40 milhões de visualizações no Youtube), Loma conseguiu assinar um contrato com a produtora KondZilla, gigante do mercado de funk.

Em comum, as três artistas possuem mais que o gênero e o status de celebridade. Elas ocupam um lugar que até então era dominado por homens; dançam e exibem cenários distintos que não costumava figurar nos quadros do entretenimento midiático – muito menos sob o protagonismo feminino.

A internet parece ser um fator preeminente nessa nova dinâmica por possibilitar uma visibilidade inédita para as mulheres, como donas de seus próprios corpos, discursos e vidas. Enquanto o universo feminino é afirmado na mídia, em suas diversas plataformas, o movimento feminista vai ganhando força, aos poucos, à medida que mulheres se identificam com a diversidade que é cada vez mais representada. O funk é um exemplo, mas transformações também podem ser percebidas na publicidade, no cinema e assim por diante. A tendência, pelo que tudo indica, é ver o processo evoluir. Felizmente.

Fernanda Medeiros
Doutoranda do PPGCOM-UFMG e Pesquisadora do GrisLab



Comentários

  1. sitio educativo disse:

    Veja que remédios podem ser usados em Remédios para Impotência Sexual. Sin embargo, es aconsejable, especialmente si considera que no hay problemas subyacentes en la relación, hablar con el médico de cabecera para descartar la existencia de causas orgánicas o ser un efecto secundario derivado del tratamiento farmacológico.

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