Análise | Celebridades

Biel: o anúncio do fim da carreira e a fama em tempos de redes sociais

A análise sobre o cantor Biel explora os acontecimentos mais recentes de sua carreira, a aposentadoria forçada e a rejeição nas redes sociais, a fim de revelar que parte da sociedade cada vez mais combate exemplos como o do cantor, que reforçam o machismo, o racismo e a homofobia.

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No dia 24 de junho uma análise do Grislab foi publicada abordando a fama como propulsora de mudanças sociais a partir do exemplo negativo do cantor Biel. Mais recentemente, dia 04 de agosto, a assessoria de imprensa de Biel informou que o cantor encerrará a carreira após cumprir agenda de shows já marcados.

Não só o assédio sofrido pela jornalista Giulia Pereira, demitida após a denúncia, contribuiu para o fim da carreira do funkeiro. Biel decidiu cantar as frases ditas para a jornalista durante uma festa de aniversário improvisando um funk: “tá gostosinha/te quebro no meio”. Pelo visto, o pedido de desculpas gravado foi apenas uma estratégia para minimizar a péssima repercussão do assédio.

Além de mais uma demonstração de machismo, Biel teve tweets recuperados nos quais dá um show de racismo, homofobia e sexismo. As declarações tentando justificar os posts do cantor voltaram a falar de imaturidade. Não resolveu.

O cantor perdeu patrocínios e o contrato com a gravadora Warner Music. Além disso, não carregou a tocha olímpica, foi retirado de vários shows e sofreu grande rejeição nas redes sociais. A hashtag #erraréhumanopersistirébiel foi parar nos assuntos mais comentados do mundo no Twitter.

Todos esses acontecimentos envolvendo Biel demonstram uma postura na sociedade, seja na figura dos anônimos que comentaram, compartilharam e denunciaram os posts do cantor, seja na figura das organizações como a gravadora que cancelou o contrato, mais preocupada com questões envolvendo machismo, homofobia e racismo.

O politicamente correto está na moda? Apoiar minorias garante likes? Falar de feminismo é a nova onda das marcas? Algumas análises e discussões apontam nesse sentido e a reflexão é necessária. Independentemente disso, a consciência de que os ídolos não podem ter posturas como à do ex-MC pode estar ganhando mais adeptos.

O anúncio do fim da carreira do cantor talvez seja mais uma jogada de marketing, num movimento de contenção de danos, de esperar a poeira baixar para depois retornar. Não sabemos. Sabemos, porém, que, se retornar, encontrará uma sociedade mais crítica e atenta a possíveis erros.

 

Laura Antônio Lima
Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UFMG
Pesquisadora do Gris

 

Esta análise faz parte do cronograma oficial de análises para o mês de agosto, definido em reunião do GrisLab.



Comentários

  1. Ravik disse:

    Coitado. Preso em velhos modos, totalmente o oposto do que esperamos de bons artistas que estão sempre um passo adiante nos mostrando algo novo.

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